quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os soteropolitanos não suportam mais a poluição sonora

O grande êxtase da poluição sonora em Salvador


Fred Dantas

Este pequeno texto pretende assinalar que a interferência sonora em volume abusivo na vida do cidadão comum parece ter atingido índices intoleráveis na Cidade do Salvador, apesar de todas as legislações surgidas para contê-la e ainda tentar agrupar num mesmo artigo a grande diversidade de questões acerca do assunto.

As fontes sonoras que mais causam inquietação em diferentes grupos de residentes em Salvador são: estabelecimentos comerciais, na maioria bares; carros particulares dotados de sonorização poderosa; instituições religiosas; pessoas comuns em uso de aparelhos residenciais; pessoas comuns em uso de celulares em ambiente público.

Para cada um desses grupos existe uma legislação específica e também uma argumentação moral, no que compete á consciência de cada cidadão. Bares e casa de eventos têm que investir em revestimento acústico, ou seja, aplicar dinheiro, para realizar música ao volume do que seus clientes apreciam. Proprietários de automóveis que sofrem de um desejo incontrolável de compartilhar seu gosto musical devem procurar um psicanalista e, ao mesmo tempo, se submeter a uma lei que já existe. As instituições religiosas que propagam a salvação em altos decibéis deveriam se lembrar que na Bíblia não existe um só momento em que Jesus tenha alterado a sua voz. O que se presume é que Ele falava em mansa voz, e que “quem tenha ouvidos que ouça”.

O uso residencial de aparelhos de som tem causado conflitos sérios entre vizinhos. Muitas vezes um só morador incômodo perturba a vida de um conjunto habitacional inteiro. Em São Paulo, por exemplo, uma queixa dessa natureza pode atrair a polícia de imediato. A popularização recente de aparelhos celulares que tocam música em alto volume gerou outro tipo de incômodo: alguém, em um ônibus lotado, decide ligar seu som de preferência e todos têm que pagar por isso.

O resultado do estado de coisas a que se chegou em Salvador é que em um mesmo momento, num bairro popular qualquer, se ouve, num grande êxtase, uma mistura de sons que agrupa três ou mais fontes sonoras abusivas e o resultado é algo parecido com:

“Estou carente do seu amor”... “toma negona”...”aleluia”... “ mexe o rabinho cachorra”... - tudo ao mesmo tempo. Dito isto, gostaria ainda de fazer algumas considerações, para eliminar o risco de ser mal compreendido:

- não se trata de preconceito intelectual, pois alguém ouvindo Tom Jobim em volume abusivo incomodaria do mesmo jeito, mas as pessoas que ouvem Jobim naturalmente têm “desconfiômetro”.

- aos patrões que só pensam em produtividade, digo que muitos dos seus funcionários não rendem o que gostariam porque não repousam adequadamente em seus lares e, no longo trajeto de ônibus até o trabalho, ao invés de cochilarem são incomodados por um celular abusivo.

- Aos pedagogos e líderes de projetos sociais de resgate à infância e juventude, digo que basta uma só letra de uma composição dessas (como ocorre no funk carioca) para por-a- perder tudo que foi dito em sala de aula sobre integridade, respeito e consciência afetiva. Estou falando agora de uma auto-estima que qualquer pessoa deve ter, não sobre falso moralismo. Desejo que a minha filha, no futuro, tenha um namorado, e que ele não a chame de cachorra!

Enfim, devido às emergências de outra ordem que exigem atenção maior das polícias, devido ao mal-maior de ter um vizinho odioso, devido à própria consciência individual de solidão e fragilidade, o fato é que em Salvador vivemos um grande êxtase, uma grande farra, de poluição sonora, de abuso sonoro a todos os níveis. Como a grande maioria do que se propaga a alto volume é música, eu chego a ter vergonha de ser músico, de ser essa mesma matéria que pratico, e da qual me sustento, a fonte dos males.

Penso que um esforço para remediar a situação deveria envolver a Prefeitura, e seu órgão fiscalizador, a Sucom, no caso dos estabelecimentos. As polícias, no caso dos automóveis e particulares residenciais. E também a Secretaria de Saúde, municipal e estadual, para esclarecer o grande mal que a poluição sonora causa sobre as pessoas. E finalmente as sociedades psicanalíticas, os departamentos de psicanálise das universidades, que deverão se por a campo, se expor ao sol das ruas, para demover dos musculosos poluidores de bairro que seus problemas afetivos e de afirmação devem ser resolvidos a foro íntimo, antes de gastarem dinheiro em potente aparelhagem somente para compartilhar a todos uma problemática que é, inteiramente, particular.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Recebi este texto por email e achei bacana

DEBATE ABERTO

É bom não esquecer que Serra não apresentou qualquer programa. Mas seu último ato significativo no governo de S. Paulo foi a privatização da Nossa Caixa, brecada porque adquirida pelo Banco do Brasil. Isso é um bom prognóstico para o que vai acontecer com o Banco do Brasil. Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc.

Flávio Aguiar
Aos meus amigos verdes, gostaria de lembrar que Fernando Gabeira já declarou apoio a Serra, o que mostra como de fato ele considera Marina da Silva e as instâncias do próprio partido.
Assim como a causa ambiental, uma vez que entre Serra/DEM/Índio da Costa e causas ambientais há uma distância de anos-luz. É bom lembrar também que Serra ganhou nos estados do chamado “espinhaço do agro-business”, que vai de Santa Catarina a Rondônia. Isso permite uma bela previsão do que vai ser o seu governo, muito mais do que frases sem cabeça nem pé.
A propósito de anos-luz: o que ajudou a empurrar Serra para o segundo turno, dando mais votos a Marina, foi a campanha obscurantista, retrógrada, caluniosa e que usa o nome de todas as religiões em vão, acusando, por exemplo, Dilma Rousseff de ser a favor do aborto.
Aos preocupados com a liberdade de imprensa, lembro que na mídia que apóia a candidatura de Serra, velada ou abertamente, desde 2006 tornaram-se comuns as “operações limpeza” (inclusive a pedido), eliminando jornalistas (inclusive de renome) dissidentes (como durante a ditadura) ou que não tocavam de acordo com a música.
Já a quem se preocupe com política externa, lembro que, se Serra levar a sério suas declarações durante a campanha, erguerá uma cortina de ferro nas fronteiras do nosso país, acabando com a integração continental. Sem falar que retornaremos aos tempos do beija-mão e da barretada à potência de plantão. O Brasil vai perder todo o prestígio que acumulou nos últimos anos. Vai murchar em matéria de contatos com a África, Ásia e América Latina, sem que isso signifique uma melhor posição diante da Europa ou da América do Norte.
Se a preocupação for com a idéia de que “é bom alternar quem está no poder”, sugiro que comecemos por pensar no caso de S. Paulo, o segundo orçamento da nação, que completará vinte anos sob a batuta da coligação PSDB/DEM, com resultados precários na educação, saúde e segurança.
Para quem ache que “é tudo a mesma coisa”, lembro que a arte da política (de acordo, entre outros, com Gramsci) é a de discernir as diferenças para além das aparentes semelhanças, e que essas diferenças aparecem mais pelo acúmulo de atos do que pelo de palavras e promessas.
Lembro ainda que, devido aos resultados do primeiro turno, uma vitória de Serra vai transformar o governo federal em cabide para uma penca de políticos subitamente desempregados da sua coligação, que já deviam
estar defenestrados (pelo voto, como foram) da nossa vida pública há muito tempo.
É bom não esquecer que Serra não apresentou qualquer programa. Mas seu último ato significativo no governo de S. Paulo foi a privatização da Nossa Caixa, brecada porque adquirida pelo Banco do Brasil. Isso é um bom prognóstico para o que vai acontecer com o Banco do Brasil. Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc.
Ao invés de programas, Serra distribuiu gestos e palavras a esmo. Dizer que quem fuma é contra Deus, puxar Ave Maria em missa, falar em austeridade fiscal e ao mesmo tempo prometer aumentos vertiginosos do salário mínimo, dizer que tem preocupação ambiental e ao mesmo tempo prometer no Pará que vai mexer na legislação que protege a Amazônia não é um programa nem um bom começo para quem quer alardear honestidade política e coerência.
E por aí se vai. Dilma, por sua vez, defende um programa (que pôs em prática) ao mesmo tempo social e
austero, demonstrou ser uma candidata de idéias próprias e não um factóide de si mesmo que fica esgrimindo promessas a torto (sobretudo) e a direito. Foi atacada, caluniada, difamada e manteve a linha o tempo inteiro (ao contrário de Serra, que seguido perdeu a linha quando confrontado com perguntas incômodas), não recorreu a esses golpes baixos tão típicos das campanhas da direita. Não é o caso de se
concordar com ela em tudo. Mas Dilma é diálogo.
Obrigado pelo seu tempo.
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.
Lembretes para o segundo turno de 2010

Postado por Carlos Alberto Saraiva em 5 outubro 2010 às 19:00
Colunistas
05/10/2010