domingo, 29 de março de 2009

Temos que exigir o nosso diploma e uma formação de qualidade!

Na quinta- feira li em um jornal de grande circulação de Salvador, um editorial que falava da ladaínha que gira em torno do diploma de jornalista.
Parece piada, mas o STF que votar a favor da não obrigatoriedade do diploma.
Por que para ser médico, engenheiro, dentista...é necessario diploma? E para ser jornalista não?
Os SRS. donos do povo, das leis e do BRasil, sabem que nós temos um grande poder, que é o de manipular as informações e a sociedade. Sabem ainda que se tivermos boa formação acadêmica e bagagem, jamais aceitaremos ser dominados por eles e lutaremos por uma notícia informativa sem fins, puramente políticos e de interesse de pequenos grupos.
Isso eles não desejam!
Então vão tentar exterminar os que podem atrapalhar a manutençaõ do poder deles. Justamente banalizando a profissão de jornalista. Qualquer um pode fazer, escrever e pronto! Não é verdade! É necessário formação e responsabilidade, para que não sejam mostrado programas feito por radialistas que desconhecem o código de ética e banalizam a vida humana.
Este é um momento de união e quem estiver neste caminho por paixão deve se juntar aos movimentos, que estão acontecendo por todo o país em defesa do diploma.
Os coronéis da comunicação querem mantér-se a qualquer preço no poder e deixar os seus herdeiros.
Não podemos permitir que isso aconteça! Todos tem direito a informação de forma clara e com responsabilidade.
Vamos neste dia 31 de março de 2009, às 11 horas, em frente ao Forum Ruy Barbosa, gritarmos pelo direito de um jornalismo com ética e formação de qualidade.
Espero por todos vocês lá!

sábado, 7 de março de 2009

Violência!

Por Márcia Barreto



A violência tomou conta das ruas e dos lares. O momento é de alerta geral! As pessoas quando se encontram tem apenas um assunto para conversar: - A violência.
Em alguns casos a polícia não intimida os marginais. Importante ressaltar, que nem os bairros nobres estão livres da brutalidade que toma conta da humanidade. Imaginem!!! então o quanto sofrem os moradores dos bairros pobres??? Quantos choram e sofrem sem ter para quem pedir socorro!!!
O abandono por parte do poder público é grande. Todos eles falam que a violência está crescendo, mas ninguém procurar solucionar o problema lá na essência. Não basta criar mais cadeias, presídios e prisões, o povo clama por coisas básicas como: educação, saúde e a tão comercializada no período das eleições: - inclusão social.
Enquanto isso não acontecer os bairros da Capital Baiana e de outras grandes Capitais permaneceremos à mercê dos marginais. Lamentável! Porque muitas vidas foram e serão ceifadas. O resultado de tudo isso: - sofrimento, tristeza e muita dor. Só quem já passou sabe o quanto é doloroso e triste"naão existe palavra para explicar a dor"!
Pedimos aos governantes e detentores do poder, que tenham atenção com o povo. A população não agüenta mais tanto descaso e abandono.
Todos nós somos vítimas!
Muitos dos infratores são pessoas que não tiveram oportunidades na vida, a não ser o mundo do crime. Acreditam eles na ilegalidade. Ilusão! Na ausência do Estado, alguém tem que assumir a paternidade daquela comunidade e do seu povo. Justo ai! mora o perigo!

Nossa cidade é linda! O que mata é violência e o abandono!


Foto: Márcia Barreto

A grande companheira da noite!



Saída da fazenda onde fica a imagem de Nossa Senhora de Anguera- 2007/Ba
Foto: Márcia Barreto

Interior da Igreja de Nossa Senhora de Anguera- 2007





Foto: Márcia Barreto

Anguera 2007


Viva a beleza de DEUS!
Foto: Márcia Barreto

Dia de Nossa Senhora de Anguera

Momento de Fé!



Foto: Márcia Barreto




Foto: Márcia Barreto
O sorriso que mudou
Márcia Barreto

A expectativa de conhecer a jornalista/publicitária Rita Batista era grande e foi superada no dia 31 de outubro de 2007, quarta-feira, às 21 horas. Ela entrou na sala de aula do prédio do ISBA, trajando um jeans básico, uma bata, uma sandália de dedo e um toço na cabeça, deixando à vista o cabelo trançado.
Sorridente e de bem com a vida, pediu mil desculpas pelo atraso, já que a entrevista estava marcada para as 20 horas e ela chegou pouco depois por causa do engarrafamento. Sentou-se ao lado do professor Leandro Colling, recebeu as boas-vindas e começou ali o que seria uma entrevista para os alunos jornalismo, mas, pela descontração, virou um bate-papo.
Logo a imagem de uma pessoa de poucas risadas, sisuda e “achando-se” por ser jornalista, construída através de conversas pelos corredores da Faculdade Social, foi desfeita. Batista bebia água a todos os instantes e fazia movimentos circulares com o copo plástico descartável, ao mesmo tempo respondia a todas as perguntas com naturalidade. E conquistou a platéia.
Rita Batista, negra, filha de Iansã, freqüentadora do terreiro em Ipiaú, da linhagem de Angola, com 28 anos, aproximadamente 1,60 de altura e em torno de uns 50 kg, transformou o que seria trabalho em diversão. Atualmente é a única mulher negra apresentando um telejornal e à frente de um programa de rádio com duração de três horas.
Começou falando que nunca passou dificuldades quando criança, ao contrário de outras pessoas públicas que iniciam suas conversas-entrevistas narrando as complicações da infância. Nascida em Periperi, subúrbio ferroviário, e criada pela avó, de quem herdou a expansividade e a vaidade, Rita fala com muito orgulho da vovó. Apesar de manter contato e boa relação com os pais, nunca deixou de morar com ela, a quem atribui todas as suas conquistas.
A avó queria que ela fosse independente e sempre procurou colocá-la em excelentes escolas. No Colégio Santíssimo Sacramento - Sacramentinas (Salvador) disputou a vaga com uma jovem branca, filha de pessoas ricas, o que determinou sua desclassificação porque era negra e sua família não era de posses. No Colégio Santa Dorotéia não teve problemas e estudou todo primário.
Depois foi para o Dois de Julho, onde pertencia a uma “gangue”, composta por apenas duas mulheres e vários rapazes. Junto com os companheiros de classe, pichou o banheiro do Colégio. Tudo parecia estar sob controle até Tomas, seu colega, sair do W.C. com piloto no bolso e ser visto pelos funcionários da escola. Todos foram chamados pela direção do colégio e suspensos das aulas. Foi uma lição para a garota que, entre recuperações e aprovações, concluiu o segundo grau.
Rita nunca se filiou a movimento negro ou partidário, por achar que são muito radicais e não concordar com a forma utilizada por eles para resolver as coisas. Ela diz ainda que sua política é entrar, fazer, enfrentar e não deixar ninguém se aproveitar nem tão pouco intimidá-la pelo fato de ser negra. Quando quer, ela vai a luta.
No início da carreira, atuou como produtora de comerciais e filmes. Foi estagiária da TV Salvador, quando cursava o último semestre da faculdade de publicidade e propaganda; estava sempre disposta a fazer qualquer trabalho na área de comunicação; e cultivava um grande sonho: ser jornalista.
Após o estágio na TV, voltou à atividade de produtora. Responsável pela realização do clip do cantor Rick Martin e, com isso, conseguiu ganhar dinheiro. Atualmente, é apresentadora de um telejornal na TV Aratu e está à frente de um programa na Rádio Metrópole, chamado “Aí Vem Elas”. Nele, ela se solta e tem vários ouvintes, considerados seus amigos pela tamanha assiduidade dos contatos via web.
Ela troca muitos e-mails com os ouvintes e escutar opiniões sobre os temas abordados. Essa relação é muito importante para ela. “Se peço para mandarem e-mail para mim, tenho a obrigação de ler e responder a todos”, diz
Sua carreira como apresentadora começou quando passou um e-mail para Mário Kertez, proprietário da Rádio, ele mesmo a chamou para uma entrevista e, em seguida, a contratou. Logo após, veio o convite para a TV Aratu. Rita tornou-se a única negra na redação do veículo e mantém uma relação de respeito com o chefe. Todos tratam o “todo poderoso” de Mário e ela faz questão de chamá-lo de Doutor, considera as opiniões dele, mas, quando necessário, o enfrenta sem medo, enquanto os colegas não têm coragem de afrontá-lo.
Realizada na profissão, a filha de Iansã inicia o seu dia bem cedo e acaba após as 20 horas, mas sua jornada de trabalho já foi mais extensa. Ela afirma com entusiasmo: “Não canso nunca porque sempre quis ser “jornalista”. Amo o que faço! E cada vez mais mergulho no trabalho em busca de novas experiências”, diz a publicitária que também fez um curso técnico de radialismo que assegura a ela o direito de atuar em meios áudio-visuais.
Mas toda essa dedicação tem um preço e ela sofreu com o fim do casamento de quatro anos, com Tiago. Mesmo sorrindo, na maior descontração, são nítidas a tristeza e, no final, uma esperança de, quem sabe, reatar a união: “Deixa o tempo passar”, lembra, contando que o casamento acabou porque ela não soube cuidar dele e que sofreu muito com a separação. Emagreceu, chorou, mas deu a volta por cima e hoje está “tico tico no fubá”. Na ocasião do afastamento foi à loja C&A fez umas compras e renovou todas as calcinhas, inclusive as furadas.
Vai a shows de samba e, quando sabe o repertório canta junto com o artista e se diverte muito. De cinema, ela fala com bastante entusiasmo: “Adoro cinema!’. Quando esta em casa, tem a companhia dos seus três gatinhos. Cliente fiel da Vídeo Hobby, loca vários filmes por semana e assiste a todos junto com os felinos.
Moradora do largo dos Aflitos, no centro, não costuma viajar nas férias, permanecendo aqui redescobrindo a cidade. Seus planos são continuar trabalhando e, quando necessário, diminuir o ritmo, fazer intercâmbio e, como ela diz, “deixa acontecer”. Dessa forma, encerramos a entrevista.
Oportunidades perdidas
Márcia Barreto

José Nunes Barreto, apaixonado pelo Vitória Esporte Clube, é um aposentado de 67 anos, casado, pai de dois filhos, que não aparenta a idade que tem pela tamanha disposição para o trabalho. Acorda todos os dias às 04 da manhã, para as 04:45 pegar o ônibus em Amaralina rumo à feira livre de São Joaquim. Por volta das 05:15, já começa atender seus clientes que chegam logo na primeira hora.
Já fez várias coisas na vida. Nas décadas de 1960 e 1970, em pleno Regime Militar, foi fiscal de ônibus, mascate, estudante de engenharia, mas nada o satisfazia e nenhumas das oportunidades foram aproveitadas até o final. Restando a experiência e o arrependimento de não ter aproveitado todas as chances que a vida lhe ofereceu.
Depois disso, foi trabalhar na feira como vendedor de farinha, verduras, banana e maracujá. A comercialização dessas mercadorias não rendia muito dinheiro, mas ele sentia-se satisfeito em comerciar naquele local. No ano de 1974 conheceu sua mulher, e um ano depois veio à primeira filha, que não estava programada, iniciando uma nova fase na vida do casal. Ainda como feirante, dedicou-se muito para garantir o leite da criança.
Mesmo com a filha pequena, o casal tinha vida social ativa. Participavam de comemorações em casa de parentes e amigos, iam as praias, aos parques, festas de largo, viagens e carnaval. Sempre com a pequena. Quando ela adormecia, preparavam uma caminha e a deitavam, mas, não deixavam com ninguém. Era grande parceira dos pais.
Em 1978, nasceram mais dois filhos, eram gêmeos e portadores de doenças cardíacas. Eles morreram aos três meses. Abalado com as perdas, se entregava aos afazeres, mas as coisas não estavam boas: movimento fraco e clientes desaparecidos. Assim, naquele ambiente de abandono ele preocupou-se como seria para garantir o sustento da família.
O momento era de dor, seu esforço era dobrado e necessário. A esposa e a filha de dois anos necessitavam, e muito, dele. A criança não entendia direito tudo o que acontecia, mas sentia o clima de tristeza no ambiente familiar. Seu sonho, de tirar o sustento familiar, da venda de gêneros alimentícios, se distanciava a cada dia. Com tudo isso nunca deixou faltar nada para seus entes queridos.
Na década de 1980, final do regime militar, chega o quarto filho. Desta vez, não houve alternativa: vendeu a barraca, contra sua vontade, aceitou o convite de um amigo e foi trabalhar em uma rede de supermercados na capital baiana. Já trabalhando, não esquecia da época de feirante e dizia que não tinha nascido para trabalhar para ninguém. Não se acostumava com a figura de um patrão.
Durante esse tempo, fez umas economias e foi aumentando a casa que, no início, tinha apenas cozinha, um quarto e banheiro. Foi muito sacrifício! Muitas vezes, após um dia inteiro de trabalho, ao chegar à noite em casa ia assentar piso, levantar e rebocar paredes, sempre com a ajuda da esposa. Caminhavam lado a lado.
Parceiro incondicional da esposa dividia as tarefas domésticas com ela. Desde quando os filhos eram bebê, cuidou com esmero, lavava fraldas, dava papinha, levava ao médico, à praia, ao zoológico e outros lugares. No dia 29 de março de 1985, vem ao mundo o seu último filho. Junto com a companheira optou pela ligadura de trompas para encerrar a quota de herdeiros.
Tudo parecia correr normalmente até que o pediatra diagnosticou problema no coração do menino. Daí em diante, houve uma luta pela sobrevivência. Inúmeros profissionais foram consultados e o diagnóstico era unânime: se ele sobrevivesse até a idade de um ano e meio, faria uma cirurgia e a expectativa de vida seria maior. Foram inúmeras internações, consultas, tratamentos espirituais, orações em igrejas, entre amigos e familiares.
Até que, na noite de Natal de 1985, à maia – noite, ele deu seu último suspiro e foi para o lado de Deus. Os pais ficaram abalados. E a irmã mais velha, que na ocasião tinha dez anos, não aceitava o que estava acontecendo. No hospital, enquanto aguardavam o médico liberar aquele pequenino corpo, para o enterro, a cena era comovente: genitores sentados lado a lado, em um banco de madeira, procurando acalmar a filha que chorava muito no colo deles pedindo o irmãozinho de volta.
Após o momento fúnebre, a vida, aos poucos, foi retornando ao normal para aquela família. O tempo passou. José conseguiu transformar o quartinho em uma residência de três quartos. “Não é nenhuma mansão, mas é onde passo o sol e a chuva”, fala, ao olhar para o domicílio de hoje, enquanto as lembranças daqueles momentos lhes vêm à cabeça. A casa não está totalmente pronta: faltam várias coisas, como rebocar algumas partes, fazer mudanças nos quarto, mas isso só com tempo e calma.
Na década de 1990 houve um corte de funcionários e Nunes perdeu o emprego. Ele aproveitou a saída, seus filhos mais ou menos criados, e retornou para feira de São Joaquim, onde está até hoje e de onde sabe se quer sair. “Gostaria de não precisar chegar tão cedo. Porque a violência tá demais, mas, se não tem outro jeito, eu vou”.
Muito calado, mas quando conversa sobre a história de vida, é nítido o arrependimento de não ter aproveitado mais as oportunidades. “Eu vacilei muito! Fui convidado para trabalhar na Petrobras e não quis, era acionista do Hospital Salvador e abandonei, e hoje vejo quantas oportunidades a vida me deu e eu desprezei” desabafa o aposentado. Por isso fala sempre para os filhos aproveitarem as chances e não seguirem o caminho das incertezas, dos sonhos soltos no espaço que percorreu. “Peguem o que estiver ao alcance e façam diferente do que fiz, por que quando o arrependimento vem já é tarde” aconselha José.